Do telão para telinha: Streaming e pandemia

illustrations

A sétima arte tem se renovado continuamente e em tempos de isolamento social nos deparamos com uma crise que pode determinar uma mudança permanente na nossa forma de consumir cinema.

Publicado em 27/05/2020 por Samuel Nepomuceno

Inúmeras áreas e setores econômicos foram afetados devido a pandemia de Coronavírus, com a indústria do entretenimento não está sendo diferente. Salas de cinema por todo o mundo estão fechadas, produções estão adiadas e o setor está quase totalmente paralisado. QUASE. Como é em momentos de crise que a maioria das soluções emerge e se consolida, o streaming observa agora mais um boom no consumo. Será esse o fim do cinema como conhecemos?

Desde meados de março, aqui no Brasil, quase todas as salas de cinema estão fechadas, atingindo até mesmo arrecadamento zero pela primeira vez na história. O problema, porém, talvez seja mais profundo ainda para os exibidores. Mesmo com o retorno das atividades, que se mostra incerto no momento, os cinemas terão que lidar com dois problemas: a falta de produções para exibir e a insegurança do público de encarar aglomerações novamente. Na China, um cinema reabriu depois de dois meses de pandemia, com ingressos promocionais e mesmo assim não vendeu nenhum ingresso. Será que a tendência vai se repetir por aqui também? No momento é impossível saber, mas é certo que tem gente se saindo bem nesse cenário: os serviços de streaming.

Com mais gente em casa, respeitando as medidas de isolamento social, os serviços de streaming viram uma oportunidade perfeita para encaixar no tempo ocioso. Muitas foram as empresas que ofereceram um maior período gratuito, serviços sob demanda liberaram o sinal e outras promoções foram feitas. Os grandes players do mercado, como Netflix e Disney+ vêm expandindo sua base de assinantes. No primeiro trimestre, a locadora vermelha adicionou 15,8 milhões de usuários à sua base, enquanto o serviço do Mickey registra mais de 50 milhões de usuários desde o seu lançamento em novembro, e vem pisando no acelerador para alcançar o mercado europeu.

Disney Plus

Mesmo com o mercado já abundante em opções, principalmente nos EUA, com Hulu (Disney), All Acess (CBS), Peacock (NBC) e etc., a HBO está preparando o lançamento do HBO Max, seu novo serviço de streaming. A novidade promete sucesso, já que a clientela do serviço já conta com a base dos assinantes de TV à cabo, HBO Go e o acervo conta com os filmes clássicos da Warner (a primeira grande consequência da compra da WarnerMedia pela AT&T), sem contar o tão polêmico SnyderCut, que promete ser lançado em 2021.

Dentro desse cenário, os grandes estúdios também estão vendo no streaming uma alternativa de lançamento para as produções já prontas e é correto afirmar um sucesso relativo para alguma delas, apesar de que a mensuração de dados desse tipo sejam um pouco mais difíceis. A Pixar, por exemplo, lançou sua produção Onward (Dois Irmãos: uma jornada fantástica), direto para as plataformas de streaming. A Universal, por sua vez, lançou Trolls 2 digitalmente e contou com uma arrecadação de US$100 milhões com locação on demand.

A sétima arte é um produto do entretenimento que existe há séculos. Várias mudanças no jeito de consumir existiram e continuarão existindo, já que a adaptação é característica inerente do ser humano. A revolução dessa vez, porém, virá por meio do streaming? Isso é algo que não se pode afirmar com total certeza agora. Esperemos cenas dos próximos capítulos.